TELESCÓPIOS CONTINUAM A SURPREENDER...: UM TELESCÓPIO GIGANTE E O PASSEIO GALÁCTICO DE DUAS ESTRELAS

I

Um telescópio situado no continente antárctico gelado promete revelar segredos
sobre fenómenos como a colisão de buracos negros, núcleos de galáxias distantes
ou estrelas explosivas.

O truque está na capacidade do sistema chamado AMANDA de localizar neutrinos
de alta energia na sua origem. Até agora, a dificuldade desta detecção residia
no facto de que os neutrinos são partículas invisíveis, sem carga eléctrica, com
massa quase inexistente que, ao contrário de outro tipo de partículas ou de
radiações, consegue atravessar planetas, estrelas, campos magnéticos ou
galáxias. Esta qualidade, que torna os neutrinos quase inobserváveis, é a mesma
que o torna interessante para os cientistas dado que pode fornecer directamente
dados sobre os fenómenos que lhe deram origem, esteja a sua fonte onde quer que
esteja.
O Antartic Muon and Neutrino Detector Array (AMANDA) consiste numa estrutura
gigante de 400 metros, com 308 sensores ópticos do tamanho de uma bola de
bowling, apontada para o chão (em vez de para o céu), para que a Terra sirva
como filtro bloqueando qualquer outro tipo de radiações. O que quer dizer que
apesar de situado no Polo Sul, o "olho" do telescópio está apontado para os céus
do norte. No total mais de 105 cientistas de todas as nacionalidades colaboram
nesta pesquisa.


II

Um grupo de astronómos calculou a órbita, através da Via Láctea, de uma estrela
de neutrões e da sua inseparável estrela companheira que se prevê estar a ser
canibalizada há mais de 30 milhões de anos.

Este par de estrelas, chamada Scorpius X-1, forma um "microquasar", no qual
matéria sugada à estrela "normal" forma um disco rotativo à volta da superdensa
estrela de neutrões. Este disco atinge tais temperaturas que emite raios X (é a
maior fonte de raios X visível fora do sistema solar) e jactos de partículas
sub-atómicas à velocidade da luz. A sua descoberta em 1962 e o trabalho a ela
associado tiveram grande peso na atribuição do prémio nobel em 2002 ao físico
Riccardo Giaconni.
Sendo este nobre binário tão conhecido, nada mais normal para a National Radio
Astronomy Observatory do que calcular o caminho percorrido pelo Scorpius X-1 nos
últimos milhões de anos através de telescópios ópticos e rádio e usando todas as
observações feitas nos últimos anos. Traçando a sua trajectória ao longo do
tempo, os cientistas puderam concluir que esta união já tem mais de 30 milhões
de anos, que muito provavelmente proveio de um enxame de estrelas e que a
estrela proveio de uma explosão supernova tão forte que deu ao binário a sua
órbita tão excêntrica.