O SEXTO SENTIDO DA ASTRONOMIA
Uma antiga previsão da Física teórica, as ondas gravitacionais, está à beira
de deixar de ser uma previsão para passar a ser um instrumento útil no estudo do
Universo. Porquê? Aqui estão as respostas a algumas questões.
O que são ondas gravitacionais?
São ondas produzidas pela variação da configuração de objectos massivos,
como num movimento rapidamente acelerado do colapso de uma estrela.
Assemelham-se à radiação electromagnética produzida por cargas eléctricas a
oscilarem e foram previstas pela teoria da relatividade geral de Einstein. Pelo
facto de serem extremamente difíceis de detectar (a radiação gravitacional é
muito mais fraca que a sua parente electromagnética) nunca foram observadas, mas
a confiança da maioria dos cientistas na teoria da relatividade geral (que até
agora nunca errou) leva a que se acredite na realidade destas ondas e se
continue a elaborar experiências para a sua detecção.
Porque são importantes?
Hoje em dia a nossa compreensão do cosmos é feita através da radiação
electromagnética mas, infelizmente, tal informação não chega para responder a
todas as nossas questões, sobretudo às que estão relacionadas com assuntos
relativos a buracos negros e afins, objectos de estudo que não deixam a radiação
electromagnética escapar.
As ondas gravitacionais encerram informações de grande valor, pois elas
atravessam o universo sem sofrer alterções e podem chegar até nós com notícias
surpreendentes sobre o nascimento de um buraco negro ou mesmo com revelações
sobre o universo quando encarado como um todo. Assim, é como se o ser humano
pudesse ter um novo sentido, sentido esse que lhe permite aperceber-se de tudo
aquilo que lhe tinha escapado até agora.
O que há de novo?
As mais sérias tentativas de sempre para observar as ondas
gravitacionais estão a ser executadas neste momento. O mais recente aparelho
laser americano de captação de ondas gravitacionais (o LIGO) juntou-se aos
seus colegas europeus (o VIRGO e o GEO 600) e aos observatórios espaciais
LISA e LAGOS para declarar guerra a um dos últimos mistérios físicos.
As previsões são para que nos próximos dois anos os primeiros sinais
destas ondas sejam encontrados.
E entretanto?
Entretanto investigadores de todo o mundo adiantam-se ao trabalho
experimental e começam a desenvolver tabelas teóricas que irão permitir a
compreensão dos resultados quando estes começarem a surgir. Para isso
utilizam supercomputadores como os do Centro Nacional de Aplicações
Supercomputurizadas da Universidade de Ilinois. O trabalho é complexo e
consiste em simular numericamente as equações de Einstein quando, por
exemplo, uma estrela de neutrões mergulha num buraco negro. A partir destas
simulações, obtêm-se previsões teóricas das ondas gravitacionais e quando
os resultados experimentais começarem a aparecer, estes podem ser comparados
com as várias tabelas para que se possa compreender o que significam.
São evidentes os benefícios que as ondas gravitacionais podem ter para o
conhecimento do Universo. Dado o facto de viajarem inalteráveis pelo Universo,
estará mais uma revolução na Astronomia a aproximar-se? Aguardam-se respostas.