Alerta geral - Previsão de chuva intensa ... de "estrelas"!!
Esteja atento ao céu das próximas noites, pois prevê-se uma chuva intensa ...
de "estrelas"! As Leónidas estão de volta!
As Leónidas são uma "chuva de estrelas" que ocorre todos os anos em meados de
Novembro. Apesar desta designação popular habitualmente usada, as verdadeiras
estrelas não chovem ou caiem do céu. Estas "estrelas cadentes" não são mais do que pedaços
de grãos de poeira que, ao entrarem na nossa atmosfera, se incendeiam e se tornam
visiveis devido à fricção exercida pela atmosfera terrestre. Por vezes, estes
corpos atingem dimensões significativas, constituindo verdadeiros calhaus
a viajar a alta velocidade e a entrar na nossa atmosfera. Estes corpos, designados
por meteoros, desfazem-se, normalmente, nas camadas da atmosfera, criando
os raios de luz habitualmente observados. Quando um destes corpos resiste a esta entrada
e chega ao solo estamos, então, na presença de um meteorito.
Prevê-se que o pico das Leónidas ocorra, este ano, na madrugada de
17 para 18 de Novembro (Sábado para Domingo), embora o máximo de intensidade
esteja previsto para as primeiras horas do dia 18. Os observadores na Europa
perderão este máximo, dada a luz do dia, mas os habitantes do continente americano
poderão assistir a um espectáculo deslumbrante. Apesar de se prever que se perca
o pico de intensidade na Europa, a boa notícia é que nessa noite practicamente não
vai haver luar, tornando mais fácil as observações.
Um dos aspectos mais interessantes acerca das "chuvas de estrelas" é a sua
imprevisibilidade. No momento em que os astrónomos pensam saber quase tudo sobre
uma determinada "chuva de estrelas", eis que algo de novo acontece e surpreende
a comunidade astronómica. A "chuva de meteoros" das Leónidas, que surge, todos
os anos, por volta dos dias 16 - 18 de Novembro, é uma das "chuvas" mais
imprevisíveis de todas aquelas que temos oportunidade de presenciar ano após
ano.
As Leónidas, tal como o seu nome indica, devem a sua designação à constelação
do Leão, pois é desta região do céu que os meteoros (habitualmente designados
por "estrelas cadentes") parecem surgir. Na realidade, estes meteoros
provêm de uma faixa ténue de restos de poeiras deixadas, ao longo de séculos,
pelo cometa 55P/Temple-Tuttle. Estes restos são deixados ao longo da órbita do
cometa e, todos os anos, em Novembro, a Terra atravessa esta faixa de lixo
cósmico ou passa muito próximo dela. As partículas de poeira, a maioria do
tamanho de grãos de areia, ao entrarem na atmosfera terrestre, tornam-se
incandescentes por efeito de fricção, dando origem a cerca de 100 ou mais
rasgos de luz no céu nocturno, constituindo aquilo que popularmente é conhecido
como uma "chuva de estrelas", neste caso as Leónidas. Na verdade, a única
estrela envolvida neste tipo de fenómeno é o nosso Sol, que ao longo dos séculos
vai vaporizando o material dos cometas que passam junto dele, formando assim as
referidas faixas de poeira mais tarde atravessadas pela Terra.
Quando uma "chuva de estrelas" é extremamente intensa, esta é então designada
como sendo uma "tempestade" de meteoros. As tempestades das Leónidas ocorrem,
mais ou menos, de 33 em 33 anos, na altura em que a Terra atravessa uma região
mais densa de detritos deixados mais junto ao cometa. Um exemplo destas
tempestades ocorreu em 1966. Em 1999, antes do amanhecer do dia 18 de
Novembro, assistiu-se a uma taxa de cerca de 2700 meteoros por hora.
Durante os últimos anos têm-se feito avanços significativos na previsão
da actividade das Leónidas através de uma observação atenta e cuidada do
fenómeno. No entanto ainda restam dúvidas em relação à forma como é que os
cometas dispersam os grãos de poeira ao longo das suas órbitas e de que forma é
que estes grãos se distribuem ao longo dos anos e séculos.
Se estiver interessado em saber mais sobre as Leónidas, assista à palestra organizada
pelo Planetário Calouste Gulbenkian em Belém, esta sexta-feira, dia 16 de Novembro, às 21h30,
precisamente sobre este tema. A entrada é livre!