CHUVA DE METEOROS - LEÓNIDAS 2000
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- Espectáculo deslumbrante ou mais uma grande desilusão?
Um dos aspectos mais interessantes acerca das "chuvas de estrelas" é a sua
imprevisibilidade. No momento em que os astrónomos pensam saber quase tudo sobre
uma determinada "chuva de estrelas", eis que algo de novo acontece e surpreende
a comunidade astronómica. A "chuva de meteoros" das Leónidas, que surge, todos
os anos, por volta dos dias 16 - 18 de Novembro, é uma das "chuvas" mais
imprevisíveis de todas aquelas que temos oportunidade de presenciar ano após
ano.
As Leónidas, tal como o seu nome indica, devem a sua designação à constelação
do Leão, pois é desta região do céu que os meteoros (habitualmente designados
por "estrelas cadentes") parecem surgir. Na realidade, estes meteoros
provêm de uma faixa ténue de restos de poeiras deixadas, ao longo de séculos,
pelo cometa 55P/Temple-Tuttle. Estes restos são deixados ao longo da órbita do
cometa e,todos os anos, em Novembro, a Terra atravessa esta faixa de lixo
cósmico ou passa muito próximo dela. As partículas de poeira, a maioria do
tamanho de grãos de areia, ao entrarem na atmosfera terrestre, tornam-se
incandescentes por efeito de fricção, dando origem a cerca de 100 ou mais
rasgos de luz no céu nocturno, constituindo aquilo que popularmente é conhecido
como uma "chuva de estrelas", neste caso as Leónidas. Na verdade, a única
estrela envolvida neste tipo de fenómeno é o nosso Sol, que ao longo dos séculos
vai vaporizando o material dos cometas que passam junto dele, formando assim as
referidas faixas de poeira mais tarde atravessadas pela Terra.
Quando uma "chuva de estrelas" é extremamente intensa, esta é então designada
como sendo uma "tempestade" de meteoros. As tempestades das Leónidas ocorrem,
mais ou menos, de 33 em 33 anos, na altura em que a Terra atravessa uma região
mais densa de detritos deixados mais junto ao cometa. Um exemplo destas
tempestades ocorreu em 1966. No ano passado, antes do amanhecer do dia 18 de
Novembro, assistiu-se a uma taxa de cerca de 2700 meteoros por hora.
Durante os últimos dois anos têm-se feito avanços significativos na previsão
da actividade das Leónidas através de uma observação atenta e cuidada do
fenómeno. No entanto ainda restam dúvidas em relação à forma como é que os
cometas dispersam os grãos de poeira ao longo das suas órbitas e de que forma é
que estes grãos se distribuem ao longo dos anos e séculos. "Necessitamos do
maior número de observações possível no sentido de modificarmos os nossos
modelos da poeira das Leónidas", referiu Jean-Pierre Lebreton, cientista da ESA
(Agência Espacial Europeia).
- O que vai então acontecer este ano?
Carole Gockel e Rudiger Jehn do European Space Operations Centre (ESOC) na
Alemanha, prevêm uma taxa máxima de cerca de 900 meteoros por hora por volta
das 08h00 GMT (Greenwich Mean Time - mesma hora em Portugal Continental) no dia
17 de Novembro. Estes cientistas prevêm uma intensidade igual ou superior a
metade daquela registada na Europa na tempestade das Leónidas do ano passado.
Prevêm, igualmente, um pico menor de intensidade de cerca de 300 registos por
volta do meio dia GMT no dia 18. Infelizmente, se os seus cálculos estiverem
correctos, nenhum destes máximos será visível na Europa.
Os astrónomos Davis Asher e Robert McNaught do Reino Unido prevêm uma "chuva"
normal de cerca de 100 meteoros por hora, embora possam ocorrer dois máximos de
actividade à medida que a Terra atravessar os restos de poeira deixados pelo
cometa em 1733 e em 1866. Estes máximos de actividade são esperados ocorrer às
03h44 GMT e 07h51 GMT no dia 18 de Novembro. Se estas previsões se confirmarem,
o primeiro máximo será visível na Europa Ocidental, sendo o segundo "ofuscado"
pelo nascer do dia.
Um modelo alternativo proposto por Ignacio Ferrin sugere que a Terra falhará o
centro da faixa de poeiras das Leónidas por uma pequena margem, mas existindo
ainda uma considerável probabilidade de se assistir a uma "chuva" intensa. De
acordo com Ferrin, o máximo de actividade é provável acontecer por volta das
09h20 GMT no dia 17 de Novembro, altura em que poderemos assistir a uma taxa de
3500 - 5000 meteoros por hora. Se este facto se confirmar, então a Europa
perderá o esplendor máximo deste "fogo de artifício", podendo os Norte
Americanos assistir a um espectáculo magnífico.
No entanto, as más notícias são que, independentemente da altura em que o máximo
ocorrer, apenas os meteoros mais brilhantes serão visíveis. A maior parte
dos meteoros passarão despercebidos no meio do brilho da Lua, dado esta se
situar, nesta altura, bastante próxima da constelação do Leão.