VISÃO PANORÂMICA DO UNIVERSO
Um novo mapa do Universo confirma resultados
anteriores, incluindo a existência de matéria escura e energia escura.

Tal como acontecia com os mapas medievais da Terra que incluiam especulações
do desconhecido e observações científicas concretas, os cosmologistas vão
aperfeiçoando o nosso conhecimento da estrutura e evolução do Universo como
um todo. Uma equipa internacional de astrónomos anunciou que criou um mapa
de uma profundidade de 2 mil milhões de anos-luz que revela a constituição
mais precisa do Universo até à data.

Retirando informação do levantamento Sloan Digital Sky Survey (SDSS), os
astrónomos realizaram medições precisas da distribuição em larga escala dos
agregados de galáxias e da matéria escura associada. Ao representarem as
posições tridimensionais de 205 443 galáxias dispersas por cerca de 6% do
céu, este grupo de astrónomos obteve a visão mais apurada do traçado de
agrupamento gravitacional entre galáxias. Enquanto numa escala de milhões de
anos-luz, surge uma distribuição heterogenea, já numa escala mais ampla
(larga escala) surge uma imagem do Universo mais uniforme.

Os resultados foram publicados no Astrophysical Journal e no Physical Review
em dois artigos separados, e os autores fixaram a constituição do Universo em
70% energia escura, 25% matéria escura e apenas 5% matéria comum composta por
átomos.

Acabando com a angústia de muitos astrónomos, estes últimos números estão em
pleno acordo com os modelos teóricos e as descobertas proporcionadas pela
sonda Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP). As imagens obtidas pela
equipa WMAP mediram a radiação de fundo (na forma de micro-ondas) emitida
como consequência do Big Bang. A combinação das medições da sonda WMAP com
as provenientes da SDSS, estabeleceu uma precisão maior para parâmetros
cosmológicos como a idade e a estrutura e a expansão do Universo, reduzindo
para menos de metade a faixa de erro proveniente da WMAP.

Galáxias diferentes, instrumentos diferentes, pessoas diferentes e análises
diferentes, mas os resultados estão de acordo. Os astrónomos responsáveis
por este trabalho consideram que estão perante a melhor prova da existência
de matéria escura. De acordo com modelos inflaccionários já existentes,
estes novos resultados oferecem também provas significativas para a
existência de energia escura e o seu papel fundamental na actual expansão do
Universo. O verdadeiro desafio agora é determinar o que estas substâncias
realmente são.