Nave espacial aterra num asteróide
Um ano após a nave espacial NEAR-Shoemaker ter entrado em órbita à volta do
asteróide 433 Eros, e dois dias depois de ter aterrado neste calhau
espacial, os cientistas da missão decidiram prosseguir com a missão durante
mais dez dias com o objectivo de recolher dados com o espectrómetro de raios
gama levado a bordo da nave espacial. Este instrumento científico poderá
proporcionar informações sem precedentes sobre a composição da superfície e
do interior do asteróide Eros.
A histórica aterragem suave da NEAR-Shoemaker em Eros converteu-se já no
sonho de todos os cientistas de missões espaciais. "Tínhamos estabelecido
como primeira prioridade desta missão a obtenção de imagens de alta
resolução da superfície e como segunda a tentativa de aterrar a nave de
forma suave na superfície do asteróide - e conseguimos as duas" afirma o
director da missão NEAR, Robert Farquhar, do Laboratório de Física Aplicada
da Universidade John Hopkins, que opera esta missão para a NASA. "As coisas
não podiam ter corrido melhor", concluiu.
Dois dias após a execução de um conjunto de manobras que se concluíram com a
sua aterragem na superfície de Eros, a sonda NEAR-Shoemaker ainda comunicava
com a equipa do Laboratório de Física Aplicada. A aterragem deu-se às 8:01
horas, hora de Lisboa, do dia 12 de Fevereiro último, concluindo um ano de
estudo do asteróide.
Os operadores da missão indicaram que a velocidade de descida, cerca de 6
quilómetros por hora, poderá constituir uma das aterragens mais lentas da
história da exploração planetária. Os propulsores da nave estavam ainda em
funcionamento quando esta tocou na superfície do asteróide, sendo prontamente
desligados a seguir ao impacto. A aterragem deu-se a apenas 200 metros de
distância do local projectado para a mesma.
"A aterragem confirmou que todos os modelos matemáticos por nós propostos
para uma descida controlada funcionaram" disse Bobby Williams, do
Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA e líder da equipa de navegação do
projecto NEAR-Shoemaker. "Nunca podemos ter a certeza se estes irão
funcionar ou não até ao momento em que isso se comprove, e desta vez tudo
aconteceu como no nosso laboratório. A nave funcionou como esperávamos que
funcionasse e estamos todos muito contentes por esse facto".
A nave obteve 69 fotografias durante os últimos cinco quilómetros da sua
descida, obtendo, assim, imagens de um asteróide com a mais alta resolução
até hoje conseguida. A câmara efectuou fotografias até uma distância de 120
metros acima da superfície do asteróide, mostrando detalhes com
apenas 1 cm de lado. Estas fotografias mostram também várias coisas que
despertaram a curiosidade dos cientistas do projecto, tais como grandes
rochas fracturadas, uma cratera do tamanho de um campo de futebol cheia de
pó e uma zona misteriosa onde a superfície parece ter desmoronado.
"Estas imagens espectaculares começaram já a responder às inúmeras perguntas
que tínhamos acerca de Eros", disse Joe Veverka, líder da equipa de
imagens da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, Estados Unidos. "Mas
revelaram também novos mistérios que exploraremos durante muitos anos no
futuro".
Notícia adaptada de um artigo da NASA que poderá ser consultado "on-line" em
castelhano na página:
http://ciencia.msfc.nasa.gov/headlines/y2001/ast21feb_1.htm?list469357
ou em inglês na página:
http://science.nasa.gov/headlines/y2001/ast14feb_1.htm?list87915