"PEQUENOS CORAÇOES VIGIADOS POR TECNOLOGIA AEROESPACIAL"
--------------------------------------------------------

Uma tecnologia da NASA usada originalmente para medir o
fluxo de ar sobre as asas de um avião foi agora adoptada
com sucesso para desenvolver um monitor cardíaco fetal
portátil, não invasivo e fácil de usar.

O novo monitor cardíaco fetal, clinicamente testado,
recorre à já conhecida tecnologia aeroespacial, o que
o torna mais barato. É portátil e fácil de usar pelas
futuras mães em suas casas. Mais importante, ele "ouve,
documenta e regista" dados do ritmo cardíaco fetal sem
transmitir energia ao útero.

Uma equipa de investigadores aeroespaciais do Centro de
Pesquisa Langley da NASA cooperou com a Veatronics, uma
companhia privada, para converter a tecnologia de modo
a obter esta inovadora aplicação médica. Por seu turno,
a NASA garantiu à companhia os direitos comerciais
sobre um ou vários produtos baseados nesta tecnologia.

"Uma vez que o material que utilizamos para fazer
medições sobre as superfícies das asas é flexível, ele
é ideal para se adaptar à superfície curva do abdómen
da mãe de modo a vigiar a saúde do feto", salientou
Allan Zukerwar, do sector de medidas avançadas e
diagnósticos de Langley.

Os dispositivos actuais de monitorização cardíaca fetal,
embora funcionem bem em geral, são extremamente onerosos
e apenas podem ser usados nas clínicas ou consultórios
médicos.

A NASA desenvolveu esta tecnologia portátil por sugestão
de um médico de uma zona remota, onde a falta de cuidados
médicos apropriados se faz sentir.
Em certos casos em que as futuras mães não recebem os
cuidados de saúde pré-natal necessários, isso pode
resultar num aumento da taxa de mortalidade fetal.

Com este monitor, na sua forma actual, a paciente só tem
de colocar um cinto largo e macio com sensores incorporados
e sintonizar um dispositivo que permite ouvir o batimento
cardíaco do feto. Este sinal é enviado directamente para
o consultório do médico assistente, através da Internet.
O dispositivo é tão fácil de usar como um rádio.

"A portabilidade desta tecnologia torna-a muito útil",
declarou o Dr. Kevin Gomez, um especialista em medicina
materno-fetal de Atlanta. "Em vez de os doentes se
deslocarem até onde está a tecnologia, é esta que vai
ao encontro dos doentes". Gomez foi responsável por uma
série de testes clínicos efectuados na Escola de
Medicina de Morehouse, em Atlanta. Estes testes,
patrocinados pela NASA e desenvolvidos em paralelo numa
outra Escola de Medicina, destinaram-se a garantir que
o monitor acústico da NASA preenche os requisitos da
Food and Drug Administration, a agência federal americana
que regulamenta os assuntos de saúde pública. Os
resultados obtidos estão a ser comparados com os de outros
métodos, tais como os monitores de ultra sons (a
tradicional ecografia) e os de eléctrodos.

Os testes indicam que esta tecnologia é uma alternativa
fácil e válida às deslocações ao consultório médico.
Isto é particularmente importante, salientou o Dr. Gomez,
para doentes de risco que têm de ser examinadas mais do
que uma vez por semana, ou para doentes que não podem
viajar facilmente. Com efeito, todas as pacientes deste
médico são consideradas de risco, seja por complicações
da gravidez ou por deficiências do feto.
Mesmo grávidas saudáveis podem ficar sujeitas a períodos
longos de repouso ou encontrarem-se impossibilitadas de se
deslocar periodicamente ao médico.

O novo método de monitorizar o ritmo cardíaco fetal
pode vir a ser, em certos casos, a melhor forma de vigiar
a gravidez. Para além disso, os dados que fornece são
complementares à informação obtida com as tecnologias
até agora utilizadas.


O comunicado original emitido pela NASA encontra-se em:
ftp://ftp.hq.nasa.gov/pub/pao/pressrel/2000/00-031.txt