MANCHAS SOLARES GIGANTESCAS
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A maior mancha solar dos últimos nove anos foi observada no final
de Setembro, cobrindo uma superfície no Sol cerca de 12 vezes superior
à que seria coberta pela Terra.
As manchas solares apresentam uma estrutura muito complexa que
pode ser observada em imagens de alta resolução, onde se vê claramente
que as manchas são formadas por regiões escuras (ditas umbras),
rodeadas de regiões ligeiramente menos escuras (penumbras)
constituídas por estruturas que apresentam um aspecto algo
filamentar. As regiões mais claras, que parecem formadas por pequenos
grânulos, correspondem na verdade à superfície do Sol (a fotosfera).
As manchas solares corespondem a zonas frias da superfície do Sol.
As temperaturas das manchas solares excedem os 3500 graus Celsius, e
frias significa apenas que as manchas são menos quentes que o resto da
superfície solar, que tem uma temperatura de 5500 graus Celsius.
Embora pareça gigantesca, a mancha solar mencionada no início
deste artigo não é a maior mancha solar já observada, mas apenas a
maior do actual ciclo de actividade solar de 11 anos. Por exemplo,
esta grande mancha de Setembro de 2000 é cerca de três vezes menor em
área que a maior mancha vista durante o século XX, a grande mancha de
Abril de 1947.
Os astrónomos sabem que as manchas solares correspondem a zonas de
campos magnéticos muito intensos na superfície do Sol. A libertação
súbita da energia magnética no Sol durante fenómenos chamados
fulgurações produz grandes quantidades de partículas carregadas
electricamente, que são lançadas no espaço a velocidades próximas da
velocidade da luz. Pode também ocasionar ejecções de matéria coronal,
em que grandes nuvens de gás electrificado são expelidas pelo Sol a
velocidades que podem atingir os 6 milhões de quilómetros por hora.
Felizmente, não há razões para alarme no que se refere a efeitos
nocivos para a saúde humana. Existe uma região em torno da Terra (a
chamada magnetosfera) que nos protege desses fenómenos. Os sistemas
tecnológicos tais como satélites em órbita e equipamentos electrónicos
nos países próximos das regiões polares podem,no entanto, ser
seriamente danificados. A onda de choque ligada à ejecção de matéria
coronal provoca a compressão da magnetosfera e, em casos extremos,
pode induzir correntes eléctricas na Terra que interferem com
equipamentos electrónicos. Por exemplo, a maior mancha do ciclo de
actividade solar precedente, em Março de 1989, esteve associada a uma
perturbação magnética que causou avarias nos sistemas de alta tensão
do Canadá.
Em
http://www.oal.ul.pt/~dalmiro/astronovas pode encontrar as
seguintes figuras que ilustram este artigo:
Fig.1 - Imagem mostrando a mancha de Setembro 2000 (cortesia da
experiência MDI na sonda espacial SOHO, uma missão conjunta da ESA e
da NASA).
Fig.2 - Parte da mancha solar mostrada na Fig. 1, onde se podem
apreciar as estruturas filamentares descritas neste texto. A imagem
foi obtida por Richard Muller do observatório do Pic du Midi, em
França.
Fig.3 - Gráfico com as maiores manchas solares vistas em cada ano
durante o período de 1900 a 1999. Identifica-se a mancha de Abril de
1947 como a maior vista durante o século XX.
Texto e imagens pelo Dr. Dalmiro Maia, da Faculdade de Ciências da
Universidade de Lisboa