Datação de estrelas
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Um novo método de cálculo da idade mínima do Universo foi utilizado
recentemente pela primeira vez, utilizando uma nova aproximação
radiométrica.

Futuramente este método poderá permitir aos cosmólogos determinar uma
idade correcta para o Universo, com a qual possam refinar os seus modelos de
formação do Universo.

Os astrónomos responsáveis por este novo método utilizaram o decaimento do
elemento Urânio 238 para, pela primeira vez, determinarem a idade de uma estrela
muito antiga em cerca de 12,5 mil milhões de anos. Isto foi possível através
da utilização de um espectroscópio aplicado ao telescópio VLT (Very Large
Telescope) situado no deserto de Atacama no Chile. Este instrumento permitiu que
Roger Cayrel e a sua equipa do Observatório de Paris-Meudon, em França,
descobrissem a impressão digital do Urânio 238 numa estrela velha.

Johannes Andersen, do Observatório da Universidade de Copenhaga, também
membro desta equipa, afirmou à revista britânica New Scientist que "a
vantagem desta técnica é que se trata de um relógio físico que começou a
contagem do tempo aquando do nascimento da própria galáxia e se manteve
imperturbável ao longo da sua evolução".

Os astrónomos têm usado o Tório 232 para calcularem as idades radiométricas
das estrelas mas a semi-vida do Tório é de 14,1 mil milhões de anos,
aproximadamente a idade do Universo. Este decaimento lento resulta em
estimativas de idade muito pobres.

O decaimento do U 238 decai bastante mais rapidamente, com uma semi-vida de
4,5 mil milhões de anos, permitindo assim uma datação estelar muito mais
precisa. Uma vez conhecida, a data serve como idade mínima do Universo, já
que as estrelas têm necessariamente que se ter formado depois da formação do
Universo.

Até hoje diversos cosmólogos apresentaram idades para o Universo. Mas essas
idades variam entre 9 e 16 mil milhões de anos, já que os diversos
investigadores assumem diferentes dados para os seus modelos.

A chegada da abordagem radiométrica tem assim sido saudada pelos cosmólogos.
"É um bom teste de modelos cosmológicos" disse Nial Tanvir, da Universidade
de Hertfordshire, no Reino Unido. A nova idade mínima ainda não é
suficientemente precisa para ditar nenhum cenário cosmológico. A incerteza
presente na datação de 12,5 mil milhões de anos é de mais ou menos 3 mil milhões
de anos, o que engloba a maior parte das anteriores previsões.

Mas Andersen espera que seja possível reduzir essa incerteza de mais ou
menos 3 para mais ou menos 1,5, o que tornaria a actual previsão mais
precisa que qualquer outra estimativa resultante de outro método de datação.
"Apesar de a semi-vida do U238 ser conhecida com bastante precisão, devido
aos trabalhos nas bombas nucleares, a espectroscopia atómica é ainda
relativamente incerta", explica.

Esta informação é crucial já que permite que os astrónomos calculem a
quantidade de Urânio na estrela, dado essencial quando se pretende calcular
a idade dessa estrela. Laboratórios na Holanda e em França estão actualmente
a estudar uma nova análise laboratorial do espectro do Urânio.