EXPLOSÕES ESTELARES PERMANECEM UM ENIGMA
Os astrónomos estão ainda a questionar as razões da explosão e ejecção de
matéria na estrela V838 Mon, mas a análise de um acontecimento semelhante
na galáxia M31 pode proporcionar pistas acerca da sua origem.
Está ainda em debate a natureza de uma explosão ocorrida em Janeiro de
2002 de uma estrela pouco brilhante na constelação Monoceros. A estrela,
designada V838 Mon, tornou-se subitamente 600 000 vezes mais brilhante que
o Sol, ganhando o estatuto de uma das estrelas mais brilhantes da nossa
galáxia, para depois desaparecer em Abril de 2002. Apesar da estrela e o
seu meio envolvente estarem a ser monitorizados há já 2 anos, os
astrónomos permanecem sem ter a certeza das causas deste fenómeno.
Fotos da explosão podem ser vistas em:
http://astronomy.com/photogallery/gallery_large.asp?idObjectLibraryGUID={A064D8BD-639F-45F6-BF8F-C92C1059EC39}
http://astronomy.com/photogallery/gallery_large.asp?idObjectLibraryGUID={3DA799B5-3BD5-466F-9526-753A31144886}
Uma explicação para esta explosão é a de que ela é o resultado da
coalescência de duas estrelas pertencentes à sequência principal com
características diferentes em que a mais massiva expandiu enquanto
canibalizava a sua companheira de baixa massa; outra teoria é a de que a
estrela se expandiu tornando-se uma estrela supergigante e engoliu os
planetas gigantes que em torno dela orbitavam. Outros defendem que a
explosão foi o resultado de reacções termonucleares que ejectaram as
camadas exteriores da estrela, através do mesmo processo que origina as
estrelas Nova clássicas.
À medida que o pulso de luz emitido pela estrela neste processo explosivo
se propaga para o exterior, vai iluminando várias camadas de poeira
circundante. A maior parte dos astrónomos acredita que a poeira é
constituída por material ejectado previamente da estrela enquanto que
outros defendem que o material em questão é interestelar e não
circumestelar, nomeadamente núvens de gás e poeiras. Através da análise
da propagação do chamado "eco de luz" da explosão, consegue-se estudar os
complexos padrões das sucessivas camadas exteriores da estrela. A análise
geométrica destes dados indica que V838 Mon se encontra a cerca de 20 000
anos-luz da Terra.
Os defensores de que as várias camadas de poeira observadas são
circumestelares baseiam-se no facto de que as mesmas se encontram
aproximadamente centradas na estrela. Argumentam que o material
interestelar se encontra na proximidade da estrela mas não na sua
vizinhança próxima como é observado. A estrela V838 Mon encontra-se a uma
grande distância do centro da galáxia, onde não se prevê que exista grande
quantidade de poeira interestelar. Uma nova imagem do telescópio Hubble,
com a Advanced Camera for Surveys, tirada a 8 de Fevereiro, revela a
presença de galáxias no fundo da imagem, a distâncias maiores que a da
estrela. Assim a extinção pela poeira não pode ser muito grande.
Em trabalhos recentes a explosão na estrela V838 Mon foi comparada com
outro fenómeno na Galáxia Andrómeda (M31). Em 1989 foi descoberta uma
emissão de luz pouco comum por parte de uma estrela no bojo desta galáxia.
O objecto ficou conhecido como M31-RV (red variable). O caso da M31-RV é
perticularmente importante, pois encontra-se a uma distância conhecida.
Tomando a distância dos dois em conta, os objectos atingiram um brilho
máximo bastante semelhante.
Foi encontrada nos arquivos dos investigadores uma imagem do HST (obtida
com um propósito completamente diferente) que mostra a localização da
M31-RV. Estes astrónomos estão a tentar encontrar um remanescente tal
como se encontrou na estrela V838 Mon mas o campo de estrelas está
extremamente cheio, dificultando o trabalho de análise. De momento,
apenas se pode afirmar que em 1999 não haviam provas obvias da emissão por
camadas de pó circundante, mas tal não significa que não se tenha
verificado o dito fenómeno anteriormente.
AS luminosidades de V838 Mon e M31-RV eram aproximadamente semelhantes s
de uma estrela "nova" brilhante clássica, mas os resultados da análise
espectroscópica foram bastante diferentes. Novas ocorrem em anãs brancas
que acumulam matéria das suas estrelas companheiras. O material
acumuluado quando chega a um nível limite despoleta uma explosão nuclear
que ejecta as camadas acumuladas para o espaço.
Uma Nova ejecta o material circumdante a alta velocidade e rapidamente
expõe o seu núcleo a elevadissimas temperaturas, enquanto V838 Mon
permaneceu bastante fria durante todo o processo. É possível que
estejamos a presenciar fenómenos termonucleares numa anã branca, mas se
assim é, estamos a observar um fenómeno em que a explosão não ejecta
rapidamente as camadas exteriores da estrela.