INTEGRAL REVELA BURACOS NEGROS ESCONDIDOS

O poderoso telescópio espacial de raios gama da ESA, o Integral,
descobriu o que parece ser uma nova classe de objectos astronómicos. Estes são
sistemas binários, provavelmente incluindo um buraco negro ou uma estrela de
neutrões, envolvido num casulo denso de gás frio. Até ao momento, estes
objectos permaneceram invisíveis para todos os outros telescópios.

O Integral detectou o primeiro destes objectos, designado
IGRJ16318-4848, no dia 29 de Janeiro de 2003. Embora os astrónomos não
soubessem a distância a que se encontrava, tinham a certeza que se localizava na
nossa galáxia. Após algumas análises, os investigadores concluíram que o novo
objecto poderia ser um sistema binário constituido por um objecto compacto, tal
como uma estrela de neutrões ou um buraco negro, e por uma estrela vizinha muito
massiva.

Quando o gás da estrela é acelerado e "engolido" pelo objecto mais
compacto, ocorre a libertação de energia em todos os comprimentos de onda, desde
os raios gama até à luz visível e infra-vermelha. Sabe-se da existência de
cerca de 300 sistemas binários, como este, na nossa vizinhança galáctica, e o
IGRJ16318-4848 poderia ser apenas mais um. Mas algo não encaixava bem: porque
é que este objecto não foi descoberto até agora?

Os astrónomos que têm vindo a observar este objecto regularmente,
colocam a hipótese de este ter permanecido invisível devido à existência um
denso invólucro de material que obscurece o meio envolvente. Se esse for o
caso, apenas a radiação mais energética provinda do objecto pode atravessar este
invólucro, enquanto que a radiação menos energética é bloqueada. Isso poderia
explicar a razão porque o objecto não foi detectado pelos telescópios espaciais
que são sensíveis apenas a radiação de baixa energia, enquanto que o Integral,
especializado em detectar emissões de alta energia conseguiu faze-lo.

Para testar esta teoria, os astrónomos utilizaram o observatório
espacial XMM-Newton, que observa o céu no comprimento de onda dos raios-X. Ao
mesmo tempo que é sensível à radiação de alta energia, este também é capaz de
verificar a presença de material do invólucro. De facto, o XMM-Newton detectou
este objecto em Fevereiro, assim como a existência de um denso "casulo" de gás
frio com um diâmetro de tamanho similar ao da órbita da Terra.

Este material que forma o casulo é provavelmente "vento estelar",
nomeadamente gás ejectado por uma estrela vizinha supermassiva. Os astrónomos
pensam que este gás poderá ser agregado pelo buraco negro compacto, formando o
denso invólucro à sua volta. Esta nuvem obscurecedora retém no seu interior a
maioria da energia produzida.

A pergunta que se coloca no momento é quantos destes objectos estão à
espera de ser encontrados na nossa galáxia. Juntos, o XMM-Newton e o Integral
são ferramentas perfeitas para responder a esta pergunta revelando um grande
potencial para futuras descobertas no campo da astrofísica de altas energias.
Já foram descobertas mais duas novas fontes envolvidas em material obscurecedor.
Outras observações estão já planeadas.