EXPLOSÃO GIGANTE DE RAIOS GAMA
Ao chegarem a tempo de uma explosão de raios gama poucos momentos
depois dela ter ocorrido, os cientistas puderam testemunhar a morte de
uma estrela gigante e o nascimento de algo monstruoso em seu lugar,
muito provavelmente um buraco negro rotativo recém-nascido.
A observação da explosão, apresentada na edição de 20 de Março da
Nature é, até à data, a mais detalhada. A observação confirma que
estas explosões de raios gama anunciam a morte das estrelas de maior
massa no universo, numa teoria designada modelo do "colapsar". Esta
observação de grande actualidade foi possível devido à flexibilidade e
rapidez de acção de investigadores por todo o mundo juntamente com o
HETE, telecópio de altas energias da NASA e com telescópios robóticos
terrestres.
O autor principal do artigo publicado na "Nature", o Dr. Derek Fox,
metaforizou, dizendo que se as explosãos de raios gama são as lágrimas
à nascença de um buraco negro, o satélite HETE abriu as portas da
maternidade.
As explosãos de raios gama têm uma luminosidade centenas de vezes
superior à de uma supernova ou equivalente à luminosidade de milhões e
milhões de massas solares. Estas explosãos são comuns embora
imprevisíveis e repentinas. A porção de raios gama de uma explosão,
tem uma duração típica que vai desde curtas milésimas de segundo até
100 segundos. As ondas de choque provenientes da explosão varrem
matéria, empurrando-a para a região nas redondezas, o que faz aparecer
um brilho remanescente em radiação de energias mais baixas tais como
raios-X ou luz visível que pode durar dias ou mesmo semanas.
A 4 de Outubro de 2002, às 12:06 (tempo Universal) surgiu uma explosão
de raios gama a que foi dado o nome GRB021004. Sem perder tempo, o
HETE detectou-a, captou a sua localização e em poucos segundos informou
observadores por todo o mundo. O telescópio de resposta automática
(ART) em Wako, Japão, foi o primeiro a entrar em cena, observando a
região apenas 193 segundos após a explosão.
O Dr. Fox precisou a localização do brilho remanescente pouco tempo
depois, a
partir de imagens recolhidas por um telescópio do Monte Palomar, perto
de San Diego. Em seguida, o aparato chegou ao seu auge quando
cientistas por todo o mundo, utilizando mais de 50 telescópios na
Califórnia, através do Pacífico, na Ásia e na Europa, exploraram em
pormenor o brilho resultante antes que o Sol iluminasse os céus.
Devido à rapidez com que os cientistas chegaram ao cenário da
GRB021004, conseguiram testemunhar um novo fenómeno: uma contínua
transferência de energia para o brilho remanescente da explosão durante
mais de meia hora depois da explosão. Esta potência deverá ter sido
fornecida pelo objecto desconhecido que deu origem à própria explosão
de raios gama.
O Dr. George Ricker do Instituto de Tecnologia em Massachusetts (MIT),
Cambridge, salienta que estas explosões de raios gama são provavelmente
mais poderosas do que à partida se pensava, quem sabe se os raios gama
não serão senão apenas a ponta do Iceberg...
Estas observações dão apoio ao modelo do "colapsar", em que o núcleo de
uma estrela massiva no final da sua vida colapsa e dá origem a um
buraco negro. Pensa-se que devido à rotação ou aos campos magnéticos
do buraco negro, é atirado material de encontro aos destroços que o
rodeiam. Nos cálculos dos investigadores, GRB021004 teve origem no
colapso de uma estrela de 15 massas solares.
Os investigadores de explosões de raios gama trabalham agora
a partir de três novos desenvolvimentos: os alarmes dos
detectores em órbita, um rápido fluxo de informação para observadores
espalhados por todo o mundo através de uma estação em rede de
coordenadas para explosões de raios gama e uma rápida capacidade de
resposta dos telescópios robóticos na Terra. HETE é o primeiro
satélite que em segundos adquire e distribui a localização precisa das
explosões. Em Dezembro de 2003, a NASA vai lançar um novo satélite de
resposta rápida que tem uma capacidade ainda superior para detectar e
localizar explosões; terá ainda a bordo telescópios ópticos, de raios-X
e ultravioletas.