UM BURACO NEGRO SUPERMASSIVO NO NUCLEO DE UMA PEQUENA GALAXIA
Nas últimas semanas, os astronómos descobriram um buraco negro supermassivo
(de massa muito elevada)no núcleo de uma pequena galáxia espiral.
Esta descoberta revela que afinal mesmo as galáxias sem núcleos bojudos podem
possuir este tipo de buracos negros.
- Que galáxia foi estudada?
A galáxia estudada foi a NGC4395, que se encontra a cerca de 11 milhões de anos-luz
e que é visível no hemisfério norte, na direcção da constelação
"Cannes Venatici". Esta galáxia é uma galáxia "achatada", aparentando não
possuir qualquer bojo central. Contudo, possui, no seu centro, um buraco negro cuja
massa é cerca de 10000 a 100000 de vezes superior à massa do nossso Sol. Esta
descoberta sugere que outras galáxias semelhantes, isto é, outras galáxias
"achatadas", ao contrário do que até agora se pensava, podem possuir um buraco negro
supermassivo no seu centro.
- Mas que tipo de buraco negro é este?
Tipicamente, os buracos negros supermassivos possuem uma massa que é milhões ou
biliões de vezes superior à massa do Sol, sendo que este tipo de buracos negros são
milhões de vezes mais massivos do que aqueles que resultam do colapso gravitacional
dos núcleos de estrelas muito massivas.
No entanto, este buraco negro situado na galáxia NGC4395, apesar de supermassivo,
é o mais pequeno até agora encontrado no centro duma galáxia, o que seria
consistente com o facto da galáxia possuir apenas um pequeno bojo. Mas, na
realidade, este bojo não aparenta ser pequeno, mas sim inexistente, o que torna esta
descoberta algo "estranha".
- Como foi feita a descoberta?
Esta galáxia é há muito conhecida por emitir quantidades significativas de radiação
do seu núcleo, incluindo radiação visível e raios X. Este facto é um sinal da
presença de um buraco negro central e gigante e que se encontra a sugar matéria de
modo a criar um disco de acrecção rotativo e bastante quente. No entanto, até agora,
tal buraco negro não havia ainda sido descoberto.
Os cientistas usaram, então, o telescópio de 10 metros Keck I situado no Hawai e o
telescópio de raios X ASCA para encontrarem este buraco negro massivo mas que, mesmo
assim, fica bastante aquém de outros buracos negros supermassivos já descobertos.
-Que técnicas foram utilizadas para a determinação da sua massa?
A técnica usada para estimar a massa do buraco negro foi a técnica de dispersão de
velocidades.Esta técnica baseia-se na medição da velocidade média das
estrelas que orbitam o buraco negro central. Embora esta teoria tenha sido prevista
na década de 90, só em 2000 veio a confirmação da estreita relação entre a dispersão
das velocidades e a massa dum buraco negro supermassivo. Até aí pensava-se que essa
correlação só se verificava para buracos negros com milhões ou biliões de massas
solares. No entanto, a utilização desta técnica na galáxia NGC4395 provou que também
é válida para galáxias com 66000 massas solares, ou seja, a relação entre a massa do
buraco negro e a dispersão das velocidades verifica-se mesmo nas escalas de
aglomerados de estrelas que contenham um buraco negro central relativamente leve.
-Que conclusões se podem tirar?
A galáxia NGC4395 pode, assim, representar um passo na evolução de buracos
negros supermassivos, em galáxias nas quais um bojo se desenvolve à medida que o
buraco negro cresce.
Refira-se ainda que as medições da dispersão de velocidades foram efectuadas em
aglomerados de estrelas perto do buraco negro, ou seja, isso é uma indicação de que
um dia um bojo poderá aí vir a formar-se.