ESTRELA INDICA A EXISTÊNCIA DE UM BURACO NEGRO SUPERMASSIVO NO CENTRO DA VIA LÁCTEA


Os buracos negros supermassivos - nome dado a buracos negros com mais de um milhão
de vezes a massa do Sol- podem ser encontrados no centro de várias galáxias. Cientistas do
Instituto de Ciência Weizmann, Instituto de Física Extraterrestre Max Planck, e várias
instituições em França tiveram sucesso na detecção de uma estrela, com uma órbita bastante
rápida, em torno de uma massa negra no centro da nossa galáxia. Esta proeza vem apoiar
a ideia partilhada por muitos de que essa massa negra é um buraco negro supermassivo.

Os cientistas detectaram, pela primeira vez, uma estrela a completar uma órbita
em torno de uma conhecida e invulgar fonte de radiação (um candidato a buraco negro) no
centro da nossa galáxia. Esta descoberta anuncia uma nova época para a astronomia de buracos
negros que poderá ajudar-nos a aprofundar a compreensão de como as galáxias nascem e
evoluem.

Pensa-se que os buracos negros supermassivos se podem formar quando muitos buracos
negros de menores dimensões se fundem no centro de uma galáxia, e começam a absorver tudo o
que passa nas suas proximidades. Os buracos negros mais pequenos são o vestígio da explosão
de uma estrela muito maior que o nosso Sol. Esta explosão constitui um fenómeno celeste
chamado supernova, que ocorre quando uma destas estrelas desenvolvidas consome todo o seu
combustível nuclear. Sem este combustível, responsável pela manutenção da enorme pressão
necessária para contrabalançar a gravidade, a estrela começa por implodir, as camadas exteriores
ressaltam contra o núcleo da estrela sendo violentamente ejectadas para o espaço, num processo
que é visto como uma das mais poderosas explosões que ocorrem na natureza. Simultaneamente,
o núcleo continua a comprimir-se e rapidamente colapsa sobre si mesmo podendo formar um
buraco negro.

A atracção desta massa negra é tão grande que até a própria luz não lhe consegue
escapar, tornando-o invisivel mas não menos poderoso. A presença de buracos
negros é perceptivel devido à sua imensa atracção gravitacional. Uma estrela que esteja perto
de um buraco negro supermassivo orbitará muito rapidamente em torno de um ponto do espaço
aparentemente vazio. Outra pista é a radição emitida pelo gás que é aquecido
imediatamente antes de ser absorvido para sempre pelo buraco negro.

No Instituto Max Planck de astrofísica, Alexander e os seus colegas detectaram a
órbita de uma única estrela, próxima do candidato a buraco negro. Este candidato, Sagitário A
(Sagittarius A), possui três milhões de vezes a massa do Sol.
Ao seguirem esta estrela durante 10 anos, descobriram que ela realmente orbita Sagitário A.
Aproximando-se da "boca" do buraco negro, a estrela atinge a sua velocidade máxima. Girando
rápidamente sobre si, passa por ele a 5000 quilómetros por segundo.

Alguns astrofísicos sugeriram no passado que talvez a massa negra presente no centro
da Via Láctea não fosse um buraco negro, mas sim um denso enxame de estrelas compactas, ou
até uma "bolha" gigante de partículas sub-atómicas misteriosas. As últimas observações levam a
crer que estas não são alternativas viáveis. A nova análise detalhada da órbita, tornada possivel
pela técnica desenvolvida por esta equipa, é bastante consistente com a ideia de que a massa
negra é um buraco negro supermassivo.

Esta técnica permitiu observações precisas do centro da galáxia, superando o problema
da extinção da luz das estrelas devida às poeiras interestelares. As observações foram realizadas com
o novo telescópio europeu, o VLA (Very Large Telescope), cujos detectores foram desenvolvidos
por cientistas do Instituto de Física Extraterrestre Max Planck.

Estas observações podem vir a fornecer informação acerca de um assunto que nós,
surpreendentemente, conhecemos pouco - o nosso lugar no Universo. De acordo com as declarações
de Alexander, "actualmente não sabemos sequer a distância exacta da Terra ao centro da nossa
Galáxia e a compreensão destas órbitas estelares poderá dizer-nos onde nos encontramos."