Após quase 30 anos de pesquisa, os astrónomos descobriram um novo tipo de
buracos-negros, que já estava previsto teóricamente, mas que nunca tinha
sido avistado. O sítio onde estes buracos-negros de tamanho médio foram
encontrados é uma das várias surpresas que nos irá levar a uma melhor
compreensão da formação quer dos buracos-negros, quer do sítio onde eles se
encontram.

Utilizando o Telescópio Espacial Hubble, os astrónomos descobriram dois
buracos-negros no centro de enxames globulares. O primeiro, um buraco negro com
aproximadamente 4000 vezes a massa do sol, foi encontrado no centro de M15, um
enxame globular situado a aproximadamente 32000 anos-luz na constelação de
Pegasus.
O segundo foi localizado no centro do enxame Globular G1 a uma distancia de 2.2
milhões de anos-luz
na galáxia de Andrómedae possui uma massa de cerca de 20000 massas solares.

Antes desta descoberta só se tinham encontrado dois tipos de buracos-negros:
buracos-negros supermassivos (milhões ou mesmo milhares de milhões de vezes mais
massivos que o nosso Sol) que se encontram no centro de galáxias; e
buracos-negros de tamanho estelar, que se formam a partir dos restos de uma
estrela que explodiu como supernova.
Este novo tipo de buracos negros, poderá constituir o elo que faltava entre os
buracos negros supermassivos e os de tamanho estelar.

A importancia desta descoberta poderá estar no facto de que estes buracos negros
de massa-intermédia agora descobertos, podem ser os blocos com os quais se
controem os buracos-negros supermassivos que se encontram no centro da maioria
das galáxias.

Desde os anos 70 que os observadores tentaram encontrar buracos-negros com
massas intermédias, mas o poder de resolução limitado dos telescópios colocados
na superfície terrestre impediram-nos sempre de o conseguir. Estudos através
de Raios-X, feitos usando os satélites ROSAT e Chandra, já tinham dado algumas
pistas para a existência deste tipo de buracos negros em galáxias onde se
estão a formar estrelas. Contudo, existiam explicações alternativas que poderiam
justificar os dados recebidos sem necessidade de invocar a existência de buracos
negros com estas características.

Contentes, os astrónomos envolvidos nesta descoberta afirmam que: "É realmente
excitante encontrar finalmente provas indiscutíveis de que a natureza sabe como
fazer estes monstros estranhos."

Os astrónomos descobriram os buracos-negros observando o comportamento de
estrelas que se encontram perto do centro de cada enxame. O enxame M15 está tão
próximo de nós que foi possível estudar a velocidade de várias estrelas
individuais orbitando perto do centro do enxame. Pelo contrário, devido ao
facto do enxame G1 se encontrar mais afastado, foi possível observar apenas o
movimento de grupos de estrelas junto ao centro do enxame G1.

Estas medições permitiram que os astrónomos percebessem que existe uma
enorme força gravitacional no centro de cada enxame, e também lhes permitiu
calcular o valor da massa que provoca essa força gravitacional, ou seja, da
massa do buraco-negro.

As observações feitas com o Hubble também revelam uma relação entre a massa
de cada enxame e a massa do buraco-negro no seu centro. Já se tinha
observado anteriormente que os buracos-negros presentes no centro das
galáxias contém cerca de 0,5% da massa da galáxia. Surpreendentemente
acontece exactamente o mesmo com o novo tipo de buracos-negros, apesar de
serem centenas de milhar de vezes mais leves que os buracos-negros mais
massivos.

A importancia desta relação reside no facto de que esta relação entre a massa de
qualquer dos tipos de buracos-negros e o sítio onde eles se encontram sugere que
exista um processo comum responsável pela formação de buracos-negros, enxames
globulares e galáxias, que os astrónomos ainda não foram capazes de entender.

A descoberta pode, também, ajudar a encontrar a resposta para a pergunta "O que
apareceu primeiro? A galáxia (ou, neste novo caso, o enxame) ou o buraco
negro?". Estes novos dados observacionais apontam para que se comece com um
pequeno buraco-negro, uma espécie de semente que vai crescendo com a galáxia ou
o enxame.

Esta descoberta revela ainda que os buracos negros são ainda mais comuns no
Universo do que se esperava.