BURACOS NEGROS PRÓSPEROS
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Quantos de nós lutamos diariamente para não comermos demasiado? E
quantos de nós não o conseguimos evitar? Bem, não nos sintamos assim
tão mal, já que os maiores glutões nem sequer são humanos: são os
buracos negros.
Em dois estudos relacionados entre si, astrónomos britânicos e
americanos descobriram recentemente provas concretas para suportarem
uma teoria em desenvolvimento sobre a evolução dos buracos negros.
Estes evoluem ao comerem tudo o que os rodeia, desde poeira
interestelar, gás e até mesmo estrelas. Esta descoberta está a ajudar
os astrónomos a compreenderem melhor o relacionamento existente entre
os buracos negros e as galáxias.
Pensa-se que existam buracos negros no centro da maioria das galáxias
conhecidas. No entanto, durante anos, os astrónomos têm lutado com um
dilema do tipo do da galinha e do ovo: Existiriam os buracos negros
antes de as galáxias se formarem à sua volta? Ou terão eles crescido
ao longo do tempo, retirando massa de uma galáxia pré-existente?
A resposta começa agora a querer surgir. Ao compararem a idade de
algumas galáxias próximas de nós, três cientistas britânicos
determinaram que os buracos negros encontrados em galáxias jovens têm
efectivamente menos massa que os seus congéneres pertencentes a
galáxias mais velhas. Este resultado notável pode significar que os
buracos negros se iniciam com pequenas dimensões e vão aumentando
gradualmente a sua massa ao consumirem a matéria que os rodeia ao
longo da sua vida.
O astrónomo Michael Merrifield, da Universidade de Nottingham, e os
seus colegas Duncan Forbes e Alejandro Terlevich, ambos da
Universidade de Birmingham, analisaram dados relativos a galáxias que
se sabe conterem buracos negros nos seus centros. Nessas galáxias
incluía-se a famosa galáxia de Andrómeda, que se situa a cerca de 2,5
milhões de anos-luz de distância de nós.
"Sinceramente, eu não acreditava que as nossas medições, quer da massa
dos buracos negros quer da idade das galáxias, fossem suficientemente
boas para nos permitirem detectar a correlação tamanho/idade" disse
Merrifield. "Fiquei muito surpreendido ao descobrir que ela existe!".
Como se a descoberta dos astrónomos britânicos não fosse
suficientemente excitante, uma equipa de cientistas da Universidade
Estadual do Ohio, nos Estados Unidos, apresentou recentemente imagens
ampliadas de nuvens de poeira girando em turbilhão em direcção ao
centro de diversas galáxias. Os cientistas americanos defendem que
esta poeira constitui a "comida" de que os buracos negros existentes
no centro dessas galáxias se alimentam para ganharem peso.
Os astrónomos americanos Richard Pogge e Paul Martini, de Ohio,
utilizaram o telescópio espacial Hubble para captarem imagens de
galáxias próximas com duas câmaras diferentes: uma que captura imagens
em luz visível e outra que captura imagens em infravermelhos. A
combinação destes dois tipos de imagens revelou uma vista fantástica
do coração das galáxias.
Além do mais, de acordo com Duncan Forbes, as imagens agora obtidas
sustentam o trabalho dos investigadores britânicos. "Os astrónomos da
Universidade do Ohio forneceram a prova de que os combustíveis dos
buracos negros são o gás e a poeira" afirmou aquele astrónomo.
"Nós mostrámos que algo se passa efectivamente, alimentando
continuamente os buracos negros" notou Merrifield. "A equipa do Ohio
descobriu o mecanismo pelo qual o material pode ser canalizado para o
buraco negro, caindo em direcção a ele por movimentos circulares. Os
dois resultados são complementares".
Os cientistas esperam continuar a aprender de que modo é que a
formação dos buracos negros está ligada à evolução das galáxias e das
estrelas. Investigadores referem que, se existir um buraco negro no
centro da nossa Via Láctea, parece não estar muito esfomeado, de
momento. "Todos os dados actuais sugerem que temos um buraco negro de
3 milhões de massas solares no centro da nossa galáxia" afirmou
Pogge. "Mas é dos mais tranquilos que se conhecem".
(Notícia adaptada do sítio Space.com)